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Artigo · Head de marca fracionado

Head de marca fracionado vs. contratação em tempo integral: quando vale cada um

Publicado pela OMAISO 4 min de leitura
Resumo

Um head de marca fracionado custa, no Brasil, entre R$ 170 mil e R$ 260 mil por ano, contra R$ 600 mil a R$ 1 milhão de uma contratação interna em tempo integral. Mas segundo a McKinsey, o principal benefício desse modelo não é o custo: é decisão estratégica mais rápida, com empresas de decisão ágil quase 2 vezes mais propensas a tomar decisões de alta qualidade.

Durante anos, a única pergunta que empresas em crescimento se faziam sobre liderança de marca era binária: contratar um head sênior em tempo integral, ou não ter ninguém pilotando isso de verdade. Essa dicotomia mudou. Segundo a Bureau of Labor Statistics dos Estados Unidos, o número de profissionais atuando em modelo fracionado cresceu 57% desde 2020, com aceleração de 18% ano a ano nos períodos mais recentes.

O crescimento é ainda mais expressivo entre lideranças de marketing especificamente. Estudos de mercado apontam o número global de executivos fracionados saltando de 60 mil para 120 mil entre 2022 e 2024, uma duplicação em apenas dois anos. O mercado de serviços de CMO fracionado, avaliado globalmente em cerca de US$ 2,1 bilhões em 2025, é projetado para ultrapassar US$ 3,5 bilhões até 2031.

Por que esse modelo está crescendo tão rápido

A resposta mais direta está no orçamento. Segundo a pesquisa CMO Spend Survey 2025 da Gartner, uma das consultorias mais respeitadas do mundo em pesquisa de marketing, os orçamentos de marketing estagnaram em 7,7% da receita das empresas, e 39% dos CMOs entrevistados planejam cortar orçamento de agências externas no próximo ciclo. Ao mesmo tempo, a demanda por decisão estratégica de marca não diminuiu. Só o apetite por pagar uma estrutura de tempo integral pra isso.

É exatamente nessa lacuna que o modelo fracionado se encaixa: acesso a experiência sênior, sem o custo total de uma contratação full-time. A diferença de custo é substancial: comparações de mercado mostram uma equipe interna de marketing custando entre US$ 450 mil e US$ 550 mil por ano, enquanto modelos fracionados ou de agência tendem a ficar numa faixa bem mais baixa pelo mesmo nível de direção estratégica.

Não é só sobre economia

Aqui está o dado que mais chama atenção: pesquisa da McKinsey & Company, uma das consultorias de estratégia mais respeitadas globalmente, descobriu que empresas nas quais o CMO (ou equivalente) atua como verdadeiro "general manager" da marca, com assento na mesa de decisão estratégica e alinhamento direto com o CFO, crescem até 2,3 vezes mais rápido que empresas onde marketing fica isolado das decisões de negócio.

Isso muda a pergunta que toda empresa em crescimento deveria se fazer. Não é "dá pra economizar contratando um head fracionado em vez de tempo integral". Isso quase sempre é verdade. A pergunta certa é: "minha empresa está deixando a marca fora da mesa de decisão estratégica só porque ainda não achou o formato certo de ter alguém sênior pilotando isso?"

"O modelo fracionado não é uma versão 'mais barata' de ter um head de marca. É um jeito diferente de garantir que a decisão estratégica aconteça, sem esperar o orçamento permitir uma contratação de tempo integral que talvez nem seja necessária ainda."

O cenário no Brasil

O modelo fracionado ganhou tração no Brasil a partir de 2023, quando fundadores de PMEs passaram a perceber que precisavam de senioridade executiva sem ter orçamento (ou volume de trabalho) suficiente pra sustentar um cargo de tempo integral, segundo levantamento da consultoria Opera Prime, especializada nesse formato no mercado nacional.

A diferença de custo no Brasil segue o mesmo padrão observado internacionalmente. Para uma empresa de médio porte, com faturamento entre R$ 5 milhões e R$ 30 milhões por ano, sustentar um executivo interno sênior custa, em média, de R$ 600 mil a R$ 1 milhão por ano somando salário, encargos e benefícios. Um executivo fracionado de perfil intermediário, no mesmo mercado, costuma custar entre R$ 170 mil e R$ 260 mil por ano: uma fração entre um terço e um quinto do custo total de uma contratação em tempo integral.

Entre os cargos executivos fracionados mais comuns hoje, CFO lidera com 18% das posições, seguido por CMO (marketing) com 14% e CEO com 10%, segundo estudo da Revelio Labs citado pela Fast Company Brasil. Ou seja: liderança de marca já está entre as funções mais buscadas nesse modelo, tanto lá fora quanto por aqui.

Quando faz sentido, e quando não faz

Nem toda empresa se beneficia do modelo fracionado. Ele tende a fazer mais sentido quando:

Por outro lado, empresas com volume de decisão diário e constante, ou que já ultrapassaram o porte onde 1-2 dias por semana de dedicação sênior são suficientes, tendem a se beneficiar mais de uma contratação em tempo integral. O modelo fracionado, nesse caso, vira um ponto de partida até a estrutura amadurecer o bastante para justificar o próximo passo.

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